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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Crise na Educação



Todo mundo fala que a educação está em crise, mas afinal, o que é esta crise?

É só porque nós professores estamos ganhando menos? Acho que não é isso. Acontece que a sociedade modificou muitas coisas. Você tem um aluno diferente e uma sociedade que está sendo movida pela informação.



O aluno chega em sua sala de aula com o celular e você não consegue fazer ele ficar parado.

O que acontece tanto com este aluno que ele não quer mais prestar atenção na sua aula? 

Será que o aluno é uma pessoa pior?

O aluno é um tipo de ser humano pior do que você era quando adolescente?



Acho que não. Eu como professor, filho de professor e como uma pessoa que trabalha dentro de uma escola e estou o tempo todo nela, conheço muitas escolas - já viajei para muitos lugares do país visitando escolas - pensei muito sobre isso e acredito que o aluno não seja inferior ao que a gente era antes. O que acontece é que ele tem uma conjuntura tão diferente que ele não enxerga mais uma hierarquia. Ele não acha que você é de mais alta patente que ele.

Você professor é semelhante a ele. Agora, como é que ele chegou a esta conclusão sozinho? Não sei, isto é discutível. Eu acho que nem importa tanto isso. O que importa é você saber que ele não enxerga tanto mais a hierarquia que você talvez gostasse que ele enxergasse. 


Talvez ele faça parte da geração do Zuckerberg, em que um garoto de 19 anos fica bilionário.

Ele olha para você e pensa assim: 

Será que eu preciso de você mesmo?

Será que eu preciso da educação?

Será que eu preciso de uma faculdade?



É lógico que tem gente que vai conseguir fazer muita coisa sem estudo. A gente sabe que o estudo ainda é o fator principal na economia de uma nação, de um país, de uma empresa, você ter pessoas qualificadas. Óbvio que não é só a educação formal, tem muitas outras formas de você conseguir a educação, mas o fato é que o aluno está inserido nisso. Ele enxerga assim, quer a gente goste ou não.

Ele chega com o celular, aquilo está fornecendo informação para ele o tempo todo. É difícil ele chegar com este estado de energia e sentar na sala e ficar olhando para a aula de matemática. Cada vez está mais difícil isso, então não é um aluno pior. Eu não acredito nisso.

Eu assisti a palestra do Professor Marcos Meier e ele diz exatamente o que eu estou falando e eu acredito muito nisto, o aluno não vê hierarquia. Outra coisa que aconteceu é que o mundo dele é um mundo em que ele aperta um botão no celular dele e a coisa acontece. Ele não está acostumado a ficar contemplativo 50 minutos. Então ele ficar 50 minutos olhando para você, para sua aula, e você na esperança de que ele preste atenção e um negócio que não vai mais acontecer. Quando eu estava no ensino médio uma professora dizia assim: Olha, eu acho que o tempo máximo que um aluno consegue prestar atenção é 30 minutos.



Se hoje o aluno conseguir prestar atenção 10 minutos sem desviar
a mente é muito!

Então a gente tem a situação de um aluno que antes era passivo para um aluno que hoje é ativo.

Ele tem que estar participando desse processo, mas não é uma coisa fácil, porque os sistemas de ensino, as apostilas, os livros... nenhum destes materiais estão prontos para esta postura.



Eles sempre compreendem alguma teoria e você vai ficar falando durante 50 minutos, para depois, no finalzinho da aula, talvez, você dar algum exercício para eles tentarem fazer. Por isso que a gente vê nos Estados Unidos e em alguns lugares aquele movimento de flipped education, educação invertida, educação híbrida, que é uma "salada de nomes", uma série de coisas que na verdade que dizer a mesma coisa:

Você tem que começar a se mover da posição em que o seu aluno era passivo
e você era o ativo e começar a modificar, inverter esta situação.

Ou, se não conseguir inverter, pelo menos contra balancear isto ai. Uma coisa que eu também acho que todo mundo fala mas é difícil de fazer é você tomar uma postura mais de tutor e parceiro no aprendizado do aluno. Portanto eu vou trazer aqui ferramentas que vão facilitar você a ser parceiro deles.

Até a próxima!

Um comentário:

  1. Gostei muito, pois reflete uma realidade da qual não se pode fugir e na qual precisamos nos inserir.

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