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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O aluno sabe mais do que você?

Olá! Venho mais uma vez aqui ter uma conversa com vocês a respeito de algumas perguntas feitas em minha página no Linkedin que considero muito interessante por serem uma insegurança que muitos professores tem: 

O aluno sabe mais do que você? O que ele sabe na verdade?

Considerando a questão da tecnologia, não, ele não sabe mais do que você. Por quê? O que o aluno sabe na verdade é a computação recreativa, aquilo que ele usa no dia a dia. Por exemplo: ele tira fotografia com seu smartphone, acessa a rede social, envia e-mail (se bem que eles quase não estão mais mandando e-mail), utilizam o sms, etc. Todo o universo dele está inserido na multimídia do smartphone. É isso que ele sabe.

O aluno não sabe criar uma planilha ou fazer um cálculo. Acredito que ele não seja capaz nem de criar uma planilha para fazer um orçamento doméstico.


Então, supor que o aluno sabe mais
que você não é verdade, ok?

Existem muitos professores que são desconectados da tecnologia e que
sentem este medo, portanto, fique tranquilo.

O aluno não sabe mais do que você, pois o que ele sabe é computação recreativa.


Pode ser que você também tenha medo de que o aluno saiba mais do que você sobre matemática, português ou a matéria que você leciona, contudo, ainda existe aquela postura:

Você hoje é obrigado a saber de tudo?
Será que tem aula melhor do que a sua no youtube?
Eu acho que tem.

Há um tempo, um aluno chegou até mim e me desafiou, em plena sala de aula. Eu estava dando aula, ele chegou até mim e disse: “Professor, tem uma aula no youtube muito melhor do que a sua!”



Rapaz, que saia justa naquela hora.

Mas, me veio à mente uma coisa: percebi que as universidades, os professores de todos os lugares, ou seja, todo mundo, está gravando videoaulas.

Muitas vezes, aquele indivíduo se preparou para dar aquela aula muito mais do que eu me preparei para dar a minha.

Então, qual é o problema da aula do youtube ser melhor do que a minha?

Nós não vivemos no mundo da internet, onde todos estão conectados? Então eu não preciso ser o melhor do mundo.




Porém, há um detalhe, eu disse o seguinte para meu aluno: “Tudo bem, eu acredito, com certeza a aula do youtube pode e deve ser melhor do que a minha, mas, tem uma coisa, filho, você está sentado ai e eu aqui. Olhe só, nós podemos trocar ideias! Isso não tem valor? Tem, não é? Tem muito valor, entende?” Eu continuei, então, minha aula e não espantei ninguém. Não critiquei o fato dele achar melhor a aula do youtube ou a minha, até porque eu estou dando cada vez menos aula.

Eu explico cada vez menos e faço o aluno trabalhar cada vez mais.

Esta que é a questão, porque está tudo no google e eu não vou conseguir contar uma coisa muito diferente para os alunos. Outra coisa que vejo nos fóruns em que participo é uma grande discussão a respeito do lúdico vs aquilo que é da disciplina, que é obrigatório.

O que eu posso fazer para que a minha matéria fique interessante e divertida?

Tenho o seguinte pensamento: não é tudo que você vai conseguir colocar em termos divertidos, então, o lúdico tem limites. Não dá para fazer uma educação absolutamente divertida. Por quê? É porque não dá? Não! Claro que dá!


Desde que você invista em recursos, como tempo e dinheiro, dá para conseguir quase tudo. O problema é que, às vezes, você não tem tempo para tornar tudo tão divertido e não consegue fazer um game para todas as situações de aprendizado que você gostaria. Então, é preciso ter um bom censo ai. Por exemplo: a álgebra é algo muito chato de você transformar em lúdico. Tem alguns games que também não convencem os alunos, e eles olham aquilo e não acham muito interessante. Eles estão acostumados com super produções 3D, como X-Box, Playstation, e, então, muitas vezes a educação não é lúdica e não há crime nenhum ai.




Outra coisa que eu conversei com alguns professores é como falar a língua dos alunos, pois a gente pensa: “Poxa, eu preciso atingir este aluno e conseguir falar a língua dele”. 


Eu acredito no seguinte: se você usa a tecnologia, é claro, isto vai te ajudar a falar com seu aluno. É uma questão de você não ser um indivíduo "desplugado" deste mundo. Por outro lado, temos nossa postura também.

Eu sou um professor, tenho 46 anos e se eu estou lidando com um aluno de 15 anos. Eu não sou obrigado a falar gírias. O aluno precisa ver em mim uma liderança natural, alguém que está preocupado em conseguir que ele chegue a algum lugar sozinho e que entenda as coisas. É o aluno que eu tenho que "trazer para o palco".




Tenho feito mudanças e tenho tido experiências em alguns lugares com a filosofia de flipped education. Acho que isto está surgindo em várias escolas e acredito bastante nisto.

Bom, por hoje é isso pessoal. Obrigado!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Presidente Obama pede aos americanos para aprender ciência da computação

Presidente Barack Obama pede a todos os americanos para tentar aprender ciência da computação,
dando início à campanha Hora do Código para a Semana de Educação da Ciência da Computação 2013.

Oi pessoal. Tenho o prazer de me juntar a estudantes, professores, empresas e ONG´s ao dar novos e importantes passos no apoio ao ensino de ciência da computação em escolas americanas. Não são habilidades importantes apenas para o seu futuro, mas para o futuro do nosso país.

Se quisermos um país que esteja na vanguarda, precisamos que, jovens como você, dominem as ferramentas e a tecnologia que mudarão o jeito que fazemos todas as coisas. Por isso, peço a você que se envolva.

Não compre apenas um novo videogame, crie um. Não baixe um aplicativo, ajude a desenvolvê-lo. Não apenas brinque em seu celular, mas programe-o. Ninguém nasce cientista em computadores, mas com um pouco de esforço, de matemática e de ciências, todos podem se tornar um.

Esta é a sua chance para tentar. Não deixe que digam que "você não pode". Seja você ainda rapaz ou moça, more você em uma cidade ou zona rural, os computadores serão grande parte do seu futuro, se estiver disposto à trabalhar e estudar firme esse futuro pode ser moldado por você.

Obrigado pessoal!

Barack Hussein Obama

Campanha Hour of Code - Computer Science Education Week (2013)


Mais informações acesse: http://code.org

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Crise na Educação



Todo mundo fala que a educação está em crise, mas afinal, o que é esta crise?

É só porque nós professores estamos ganhando menos? Acho que não é isso. Acontece que a sociedade modificou muitas coisas. Você tem um aluno diferente e uma sociedade que está sendo movida pela informação.



O aluno chega em sua sala de aula com o celular e você não consegue fazer ele ficar parado.

O que acontece tanto com este aluno que ele não quer mais prestar atenção na sua aula? 

Será que o aluno é uma pessoa pior?

O aluno é um tipo de ser humano pior do que você era quando adolescente?



Acho que não. Eu como professor, filho de professor e como uma pessoa que trabalha dentro de uma escola e estou o tempo todo nela, conheço muitas escolas - já viajei para muitos lugares do país visitando escolas - pensei muito sobre isso e acredito que o aluno não seja inferior ao que a gente era antes. O que acontece é que ele tem uma conjuntura tão diferente que ele não enxerga mais uma hierarquia. Ele não acha que você é de mais alta patente que ele.

Você professor é semelhante a ele. Agora, como é que ele chegou a esta conclusão sozinho? Não sei, isto é discutível. Eu acho que nem importa tanto isso. O que importa é você saber que ele não enxerga tanto mais a hierarquia que você talvez gostasse que ele enxergasse. 


Talvez ele faça parte da geração do Zuckerberg, em que um garoto de 19 anos fica bilionário.

Ele olha para você e pensa assim: 

Será que eu preciso de você mesmo?

Será que eu preciso da educação?

Será que eu preciso de uma faculdade?



É lógico que tem gente que vai conseguir fazer muita coisa sem estudo. A gente sabe que o estudo ainda é o fator principal na economia de uma nação, de um país, de uma empresa, você ter pessoas qualificadas. Óbvio que não é só a educação formal, tem muitas outras formas de você conseguir a educação, mas o fato é que o aluno está inserido nisso. Ele enxerga assim, quer a gente goste ou não.

Ele chega com o celular, aquilo está fornecendo informação para ele o tempo todo. É difícil ele chegar com este estado de energia e sentar na sala e ficar olhando para a aula de matemática. Cada vez está mais difícil isso, então não é um aluno pior. Eu não acredito nisso.

Eu assisti a palestra do Professor Marcos Meier e ele diz exatamente o que eu estou falando e eu acredito muito nisto, o aluno não vê hierarquia. Outra coisa que aconteceu é que o mundo dele é um mundo em que ele aperta um botão no celular dele e a coisa acontece. Ele não está acostumado a ficar contemplativo 50 minutos. Então ele ficar 50 minutos olhando para você, para sua aula, e você na esperança de que ele preste atenção e um negócio que não vai mais acontecer. Quando eu estava no ensino médio uma professora dizia assim: Olha, eu acho que o tempo máximo que um aluno consegue prestar atenção é 30 minutos.



Se hoje o aluno conseguir prestar atenção 10 minutos sem desviar
a mente é muito!

Então a gente tem a situação de um aluno que antes era passivo para um aluno que hoje é ativo.

Ele tem que estar participando desse processo, mas não é uma coisa fácil, porque os sistemas de ensino, as apostilas, os livros... nenhum destes materiais estão prontos para esta postura.



Eles sempre compreendem alguma teoria e você vai ficar falando durante 50 minutos, para depois, no finalzinho da aula, talvez, você dar algum exercício para eles tentarem fazer. Por isso que a gente vê nos Estados Unidos e em alguns lugares aquele movimento de flipped education, educação invertida, educação híbrida, que é uma "salada de nomes", uma série de coisas que na verdade que dizer a mesma coisa:

Você tem que começar a se mover da posição em que o seu aluno era passivo
e você era o ativo e começar a modificar, inverter esta situação.

Ou, se não conseguir inverter, pelo menos contra balancear isto ai. Uma coisa que eu também acho que todo mundo fala mas é difícil de fazer é você tomar uma postura mais de tutor e parceiro no aprendizado do aluno. Portanto eu vou trazer aqui ferramentas que vão facilitar você a ser parceiro deles.

Até a próxima!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O Futuro do Professor


Neste vídeo eu explico alguns tópicos que considero importantes, com relação ao salário
e satisfação dos professores e o que eles podem fazer para melhorar sua situação.

Eu penso que alguns professores estão em uma situação difícil, pois além de achar que não ganham o suficiente eles também não tem prazer e nem satisfação na sua profissão. Acho muito difícil você passar muitas horas do seu dia trabalhando sem ter satisfação naquilo que faz. Acredito que a primeira parte do seu salário é você que dá para para si mesmo. Você é capaz de criar satisfação para você mesmo.

A parte financeira é consequência de uma série de coisas que depende mais de você. 

Sei que não parece, mas é a verdade. 

Parece que depende do governo sempre, que o governo é que te paga mal (não estou aqui defendendo a posição do governo),
mas a questão é o seguinte:

Será que ficar colocando a culpa no governo vai melhorar sua situação?

Eu acho que não. Pretendo gravar muitos vídeos e colocar minha posição aqui. Eu vi meu pai trabalhar, durante muitos anos, uma quantidade imensa de horas; Uma parte do tempo ele tinha satisfação, outra parte era puro cansaço. Acredito que as coisas não precisam ser assim. Hoje temos muitos recursos tecnológicos e isso é uma coisa na qual vou falar muito, sobre como a tecnologia pode te ajudar, como você pode tornar sua vida menos pesada, menos sofrida, e como você vai poder melhorar o seu nível de instrução. Você sozinho, não precisa ter dinheiro.

Quem é afinal o culpado de você professor estar nesta situação?


Principalmente as pessoas que dão aula somente no ensino público, municipal, estadual ou federal sentem isso: como são mal remunerados e como as situações são difíceis. Eu acho que ficar reclamando não vai adiantar. Arrumar um culpado é sempre mais fácil do que você mesmo buscar dentro de você uma saída para esta situação.

Quero mostrar um pouco do que meus pais viveram quando eram professores e quais eram as dificuldades deles, mas também posso mostrar o lado que eu convivi. As mudanças tecnológicas e as novas possibilidades que um único professor pode ter. A gente como professor pensa: poxa, eu sou apenas um professor, o que eu posso fazer? Eu não posso nada, porque o governo não mexe nisto, porque meu diretor não deixa eu fazer isto, porque minha coordenadora me cobra disto, mas você não pode ignorar uma coisa: você, como professor, quando fecha a porta da sala de aula, tem muito poder! Você é capaz de fazer muita coisa! O que apenas um homem pode fazer sozinho? Ele pode começar mudando a sua própria realidade.

Eu tive exemplos na minha família, meu pai foi professor durante a vida toda e ele sempre acreditou que se podia fazer alguma coisa melhor. Eu recebi isso e vi o sofrimento e as dificuldades pelas quais ele passou, portanto não acho que seja fácil ser professor, mas acho digno!

Outra coisa que eu queria falar é sobre a questão da mídia, que nunca te ajudou. Porque sempre você ligava a televisão e via um humorista falando assim: "e o salário, oh", ou seja, sempre te jogam para baixo, dizem que você não pode ou que é um coitadinho, mas não é isso.

Você só é um sofredor se você quiser. Não é auto-ajuda o que eu estou pregando. Eu estou pregando o seguinte: que hoje existe internet, que você tem acesso um computador, a notebook e essas coisas não são mais tão caras como eram no passado.

Quando eu comecei a estudar computação, eu lembro, o computador custava mais ou menos o preço de um Toyota Corola (se fosse hoje, o valor dele). Então, não é mais assim, com menos de R$ 1.000,00 você consegue comprar um computador, você tem mais acesso à informação (às vezes não dentro da escola, mas na sua casa).



Eu desenvolvo softwares, sou professor, programador, desenvolvedor de aplicações para internet e para tecnologia educacional e eu quero mostrar, durante este tempo em que eu estiver gravando estes vídeos, eu vou mostrar como é que você pode sair da teoria e ir para a prática. Como você, sozinho, pode se mover em direção a uma melhor posição em sua carreira. Depois que você começar a obter resultados as pessoas vão começar a te valorizar. A mídia não valoriza o professor, pois ela "valoriza", mas, logo em seguida te coloca em uma posição de um "coitadinho", e você não pode aceitar isso. Você não deve ficar aceitando "piadinhas" sobre professor. Você tem que se mostrar como alguém que tem uma profissão digna.

O aluno, o governo, o seu diretor, os pais dos alunos... você não vai conseguir encontrar um culpado para esta situação. O que a gente tem é toda uma conjuntura. O aluno de hoje é diferente do aluno da minha época, o governo é uma variável que a gente não domina, eu não consigo controlar o que o governo vai ou não fazer. Então não adianta eu ficar reclamando. O seu diretor também está dentro de uma estrutura geral - é lógico que quanto melhor for o seu diretor a escola vai ser melhor. Os pais dos alunos: será que eles não educam seus filhos da maneira que eles deviam ser educados? Está é uma outra questão que temos pouco domínio.


Eu acredito que a profissão de professor é muito digna e que você pode mudar sua realidade e eu vou mostrar, ao longo destas videoaulas, como é que você pode sair de uma situação teórica - que seus alunos não prestam atenção em você - e como nós podemos utilizar os recursos que estão a sua disposição, e que são de graça (geralmente, quase todo mundo tem internet em casa) e você já tem tudo o que precisa.

Na próxima vídeo aula eu vou mostrar um aplicativo que desenvolvi para que você possa explicar as coisas de uma maneira mais fácil e rápida. O melhor de tudo é que você não vai precisar ficar repetindo sempre a mesma coisa. A cada mês que desenvolver mais material, você começará a fazer menos esforço para ensinar mais.


Até a próxima!